Da lúdica dança de roda salta o açoite. Do lugar de sonhos de onde venho, desabrochamos apesar da ventania e dos temporais. Aqui o ritual não é tão mágico.
Muito sofrer do muito querer sem razão. Era só o caminho, e agora? trilha árida e solitária? A disputa de egos e vaidade, cega qual tempestade de areia. E onde tinha uma mão amiga apenas o silencio a julgar soberano. É tão fácil ser juíz do alto de uma montanha enquanto o cravo se espreme entre as pedras. É tão fácil se, se tem sombra, se se tem orvalho, se tem luz, se tem ar.
No quase, quase sempre vacilamos e quase, quase que quase... Quase deixamos de ver a paisagem. Quase sufocamos na semente sem cultivo e perdemos o caminho do canteiro. Florescer exige sim, flexibilidade, perfume, cor e gratidão, exige a mão do acaso ou do semeador. Sem gratidão não há mistério não há entrega. Alimentar e crescer e brotar e sugar da vida o ar, respirar e contrair pra então expandir, em um brinde a vida, presentear com sua própria florada!
Obrigada a primavera da arte que me acolhe e me ensina. Obrigada a cada segundo prestes ao caos, aos milagres da tolerância quando tudo perece e depois se ocupa de desnudar a singeleza da estação mais frágil e mágica. E no meio do emaranhado de teias olho pro alto e o céu azul me lava com chuva de molhação e eu renasço mais doce que nunca.
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